A angústia me catou um ou dois dias depois que meu estômago começou a doer. Ela disse ficarei por um tempo e, notando seus modos sinceros, eu lhe disse tudo bem, pode ficar.
Aceitei a visita como de costume: sua companhia não é agradável, mas, ao menos, seus métodos não são traiçoeiros (e não caio mais no erro daquela estadia em que tentei expulsá-la de tacape na mão).
Há alguns anos, quando a mim se apresentou, ela disse apenas não berre, o barulho me incha, e ponderou que se, ao contrário, eu me silenciasse, ela murcharia e, magra e faminta, logo partiria.
Como de praxe, repetiu: apesar de vir, meu desejo é partir, por isso, peço que aja conforme eu lhe digo, senão, nem que eu queira, você me tira daqui: da sua sala de estar!
Assim, quando lhe flagrei à porta de casa, abri-lhe um sorriso-protocolo, assentei-lhe em boa cadeira e, sem fazer sala, disse fique à vontade e, qualquer desconforto, parta sem avisar.
Publicado em 19 dezembro, 2010
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